02/04/2025 às 22:12
O zelo pela estabilidade financeira do país é uma batalha contínua do Banco Central. Foi o que destacou o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, na cerimônia de celebração dos 60 anos da instituição financeira.
“Nesses casos, quando a gente não tem um ponto de chegada, o meio se torna o fim, o meio se torna a finalidade. E a finalidade do Banco Central nesse caso é continuar tomando cada decisão e fazendo cada ação de maneira independente, técnica, transparente e objetiva”, enfatizou o presidente do BC.
Galípolo afirmou que costuma ser perguntado, em viagens internacionais, sobre o cenário do Brasil, em que os juros são altos, mas a atividade econômica é dinâmica. Ele explicou que a mudança desse quadro é um desafio geracional, que exige reformas:
“Às vezes, a pergunta ‘por que a taxa de juros é tão mais alta que os pares?’, ela não coloca nos termos que realmente esclarecem o problema. Esse processo de a gente ter esse tipo de combinação sugere que que a fluidez da política monetária, dos canais de transmissão da política monetária, talvez não funcione tão bem no Brasil como em outros países. Desobstruir esses canais, normalizar esses canais, para que a gente possa ter doses menores do remédio fazendo o mesmo efeito para o paciente, é um desafio acho que geracional”.
O presidente do BC ressaltou o cenário atual da economia brasileira: a taxa de desemprego ficou no menor patamar da série história e a renda atingiu o valor máximo das medições oficiais, mesmo com as taxas de juros que podem ser entendidas como restritivas.
Durante o evento, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simonet Tebet, celebrou os avanços no emprego e na renda e destacou o impacto da inflação, principalmente nos alimentos:
“Nós estamos diante de números que nunca imaginamos ter em tão pouco tempo. Falta apenas, agora, nós combatermos de forma eficiente a inflação. Nos próximos 60 dias, tudo caminhando bem, como acredito que irá, (a ideia é) começar a ter uma diminuição dos preços, especialmente dos alimentos, para que o Banco Central, quem sabe, um pouquinho antes do imaginado, quem sabe, a autonomia é do banco, podemos pensar, no segundo semestre, em diminuir um pouco a taxa de juros”.
Lembrando que o Copom, Comitê de Política Monetária do Banco Central, elevou a taxa básica de juros, a Selic, de 13,25% para 14,25% ao ano na última reunião. O índice foi pressionado pelos preços dos alimentos, da energia e pelas incertezas em torno da economia global.
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