05/04/2025 às 09:49
Cláudio Júnior, jovem negro, teve sua foto tirada sem consentimento pela polícia aos 16 anos. Foi o bastante para ser apontado erroneamente como autor de crimes durante processos precários de reconhecimento fotográfico feitos pela polícia.
“Sempre tenho problemas. Quando sou parado pela polícia, tem constrangimentos. Perguntam se tenho passagem. E eu tenho que responder que sim, mesmo sendo inocente”, conta Cláudio.
“Atrapalha bastante em relação a emprego também. Tem aplicativos que não consegui me cadastrar até hoje. Não fui aceito. E isso tem me atrapalhado bastante financeiramente, mas é algo que eu espero superar”.
Cláudio é um dos quatro homens negros protagonistas do documentário Reconhecidos, que estreia nesse sábado (5) no Festival É Tudo Verdade. Estão previstas exibições no Rio de Janeiro e em São Paulo.
“Aceitei fazer parte do documentário para que o meu caso ganhe mais visibilidade. E também para ajudar todos que estão passando por isso. E para que chegue até as autoridades, e que possa ser revista a forma como o reconhecimento fotográfico tem sido utilizado”, diz Cláudio.
O documentário Reconhecidos tem 110 minutos de duração e é uma coprodução da Cardume Filmes e da Produtora Viralata. Ele é dirigido por Fernanda Amim e Micael Hocherman, com produção de Gabriel Correa e Castro, Rafael Machado, Fernanda Amim e Micael Hocherman.
A obra se propõe a apresentar casos de pessoas que foram condenadas de forma errada por meio do reconhecimento fotográfico. Por meio dessas histórias, se coloca o debate sobre erros do judiciário, racismo estrutural e institucional, além da ausência de reparação para as vítimas e as implicações sociais das condenações na vida delas, conforme explica Fernanda Amim, advogada e diretora do filme.
“Nosso objetivo é sensibilizar e aproximar mais pessoas para esse debate. Para que a gente repense o nosso sistema de Justiça e o torne mais inclusivo, menos tendencioso ao erro, principalmente aquele que é direcionado a um grupo racial específico."
"A gente espera que esse documentário sirva para mudar essa imagem do criminoso que existe socialmente”, diz Fernanda.
A diretora entende que existe um comportamento de resistência de juízes e promotores em rever o reconhecimento fotográfico como prova suficiente de condenação.
“Por que nós, como sociedade, aceitamos que para determinada parcela da população seja aplicado esse procedimento? Não é porque uma pessoa apontou de qualquer jeito para uma foto, que alguém pode ser preso. Elas, muitas vezes, são pressionadas pela polícia a apontar alguém”, pondera Fernanda Amim.
“O reconhecimento fotográfico, da maneira como é feito aqui no país, é ruim para todo mundo. Para a vítima, que depois de inocentada não tem reparação; e para a sociedade, porque quando alguém é preso injustamente significa que outros verdadeiramente culpados estão soltos, cometendo outros crimes”, complementa.
Exibição no Rio de Janeiro
Local: Sessão na Estação Net Botafogo
Data: sábado (5)
Horário: 16h30
Endereço: Rua Voluntários da Pátria, 88 - Botafogo
Local: Sessão na Estação Net Rio
Data: 13/04
Horário: 18h
Endereço: Rua Voluntários da Pátria, 35 - Botafogo
Exibição em São Paulo
Local: Sessão na Cinemateca Brasileira - Sala Grande Otelo
Data: 08/04
Horário: 19h30
Endereço: Largo Senador Raul Cardoso, 207 - Vila Clementino
Local: Sessão no Instituto Moreira Sales - IMS
Data: 11/04
Horário: às 20h30
Endereço: Avenida Paulista, 2024 - Bela Vista
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